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Muflão

 

Este animal é seguramente o mais estranho e o mais desconhecido da maioria dos caçadores portugueses. Primeiro porque não é uma espécie originária da Península Ibérica, e em segundo lugar por serem muito poucos os núcleos populacionais existentes no nosso país, apesar de, nestes, os efectivos atingirem por vezes números significativos.
Pertencente à família dos ovídeos, afirmam os Paleontologistas ser este o antecessor do carneiro doméstico. Assim e teoricamente, todas as espécies de carneiros e ovelhas que hoje se conhecem, seriam descendentes do Muflão da Córsega (designação usual da espécie por ser esta ilha o local de origem do muflão). Logo é uma espécie de caça maior completamente distinta das restantes.
 
Características
  • De coloração acastanhada que escurece à medida que a idade dos animais aumenta, o muflão macho exibe, quando se torna adulto, uma mancha branca de cada lado do dorso (cela) e ainda um dimorfismo sexual nítido, patente no facto de apenas os machos possuírem hastes (cornos) de forma circular e que se desenvolvem inicialmente no seu sentido posterior formando depois um círculo até atingirem, por vezes, o aspecto de um círculo completo. E este é o troféu de caça do Muflão.
  • Enquanto animal bravio, o muflão, apesar de exibir umas orelhas de tamanho mínimo, apresenta capacidades equivalentes às das restantes espécies de caça maior, mas que me arriscaria a dizer muito mais desenvolvidas.
  • O ouvido consegue detectar o mais pequeno rumor  a distâncias superiores a 200 metros.
  • A capacidade visual em nada se compara com a seu descendente doméstico, já que frequentemente nos observa do alto de uma escarpa muito antes de nos termos apercebido da sua presença.
  • Do olfato, em contrapartida não se apercebe uma acuidade fora do vulgar mas tão somente aquela que é característica dos animais bravios. Para além disso evidencia uma capacidade de adaptação ao habitat extraordinária, bem como uma resistência física indescritível.

 

Habitat

  • Apesar de se dar bem em qualquer tipo de coberto vegetal, a espécie prefere as regiões mais declinosas e rochosas, por estas constituírem um factor defensivo mais favorável, pelo que, existindo estas, é ali que devemos procurar estes animais.
  • Constitui grupos mistos sendo vulgar os machos acompanharem as fêmeas e respectivas crias, por vezes em número de indivíduos que pode ultrapassar as duas dezenas.

 

Alimentação

  • Sendo um herbívoro por excelência, o muflão consome tudo o que a natureza lhe disponibiliza desde as plantas leguminosas e forrageiras, passando pelos diferentes tipos de frutos silvestres, chegando a subsistir, em períodos de carência alimentar, à custa do simples mato e das estevas, sem por isso revelar perdas de peso ou enfraquecimento. Revela uma grande apetência por frutos de maior teor de açúcar, frequentando igualmente bem, as pedras de sal gema.

 

Reprodução

  • Apesar de terem um período de reprodução definido (de Outubro a Dezembro) e de a gestação durar cerca de 5 meses, as fêmeas parem com frequência (em ambiente selvagem) duas crias, facto este que facilita um incremento rápido dos diferentes efectivos populacionais.

 

Espécie Cinegética

Os primeiros exemplares desta espécie foram introduzidos nos príncipios da década de 90 em algumas Zonas de Caça Turística, constituídas na Região Centro e no Alto e Baixo Alentejo, mas sempre em áreas vedadas com malha cinegética (2,20cm de altura).

  • É frequente o muflão ser caçado de montaria ou de batida, mas estes não são os processos de caça mais aconselhados porque, quando entram aos postos, se deslocam em grandes corridas (muita rápidas) e frequentemente em rebanho, tornando-se muito difícil identificar um troféu razoável bem como conseguir um tiro eficaz com carabina. Raramente entram sozinhos e devagar.
  • Assim sendo os processo mais adequados são seguramente a aproximação (revalidando-se todos os conselhos e observações anteriormente apresentadas) e a espera, nos locais de comida e água.

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