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Corço

 

O Corço é o cervídeo de menor porte existente em toda a Europa. Primo afastado do veado, apresentou uma evolução ao longo dos séculos um pouco diferente da do seu primo Gamo, mas continuou a fazer parte da mesma família.

Mas, apesar da toda a sua graciosidade e beleza, o Corço revela instintos tão apurados como os do mais bravio dos animais. Com uma capacidade visual fora do vulgar, o Corço consegue detectar um pequeno movimento a largas distâncias. Com um ouvido apuradíssimo sente o mais leve movimento ou o mais suave remexer da folhagem. Com um nervosismo só dele característico, este pequeno cervídeo consegue desconcertar o mais frio e calmo dos caçadores.

A caça ao Corço provoca uma paixão enorme em todos aqueles que gostam de caçar de forma ética e rigorosa.

 

Características

Apresentando uma altura ao garrote que raramente ultrapassa os 80 cm e uma facilidade de movimentação proporcionada pelas suas altas, esguias e resistentes patas, o corço consegue dissimular-se no mais elementar dos cobertos vegetais. Denotando uma elevada capacidade de adaptação, tanto o podemos encontrar a viver no mais denso das florestas do Norte da Europa, como nas amplas planícies abertas e cultivadas da Europa do Sul. E porque tanto agora está visível como no instante seguinte se ocultou sem sequer nos percebermos como, foi apelidado de "Duende da Floresta".

 

Alimentação

  • A sua alimentação (apesar de ser um herbívoro ruminante) consiste maioritariamente no consumo de plantas leguminosas de folha curta, larga e tenra, pelo que fácil se torna procurar os corços numa região onde estejam presentes: basta saber onde se encontra a sua alimentação preferida e observar, em diferentes momentos do dia, os campos onde se alimentam.
  • O Corço é um animal que, devido às suas preferências alimentares consome pouca água, retirando-a quase exclusivamente do alimento que digere, pelo que necessita  de um ambiente com um mínimo de 800mm de média de precipitação anual. Quando tal não acontece a espécie enfraquece, definha e os animais vão a pouco e pouco perecendo. 

 

Dimorfismo Sexual
  • As fêmeas parem uma cria por ano, sendo vulgar em regiões de grande abundância e qualidade de alimento, existirem várias parições gémeas. Contudo o seu período de gestação é muito superior ao do gamo e ao do veado; a época de reprodução acontece - nas regiões temperadas - entre meados de Abril e fins de Maio (nas regiões frias do norte da Europa o cio só acontece nos princípios de Agosto), mas as crias só nascem no princípio da Primavera seguinte. Este facto é devido a um fenómeno interessantíssimo que nos mostra como a Mãe Natureza protege os seus filhos: para garantir a maior possibilidade de sobrevivência das crias, as parições só se verificam no princípio da Primavera por ser esta a época em que a alimentação preferida é mais abundante, de maior qualidade e mais rica em nutrientes. Para isso as fêmeas beneficiam de uma  implantação retardada do óvulo - os óvulos fecundados só se alojam no útero para iniciarem o seu desenvolvimento e darem origem ao embrião cerca de 4 a 5 meses após o momento da fecundação. Fenómeno este que só se verifica nos Corços.
 
 
Espécie Cinegética
  • Para caçar Corços só há dois processos de caça : a Aproximação e a Espera. No que se refere à Montaria ou à Batida, desaconselha-se vivamente estes processos porque os corços, quando pressionados, deslocam-se de forma errática, em grande velocidade e com saltos que podem atingir uma dúzia de metros de comprimento, sendo muito difícil atirar-lhes com carabina, em movimento.
  • Nos países nórdicos, quando se fazem batidas de caça maior em zonas onde existem corços, permite-se atirar com caçadeira carregada com cartuchos de chumbo grosso ( nº 1, 2 ou 3), mas lá como cá, o zagalote é proibido. Esta prática é igualmente vulgar  na Galiza.
  • Quando se caça de aproximação há que ter cuidados redobrados e é não só importante seguir todas as recomendações mencionadas na explicitação deste processo de caça, como ainda mais alguns:

- Em áreas florestadas as deslocações do caçador devem ser efectuadas sempre pelo bordo da floresta, mais para dentro do que para fora;

- A movimentação deve ser feita muito lentamente e sempre utilizando o ambiente natural para nos ocultarmos;

- O vento tem de estar sempre na cara;

- As observações devem ser efectuadas com binóculos de elevada qualidade óptica;

- Deve privilegiar-se a observação das zonas abertas, prados naturais e culturas, que devem ser vistas, revistas e voltadas e ver.  

 

  • E se a caçar de aproximação de repente ouvir um 'ladrar' rouco e forte que se afasta, então significa que o Corço "deu" consigo antes que se tenha apercebido da presença do animal. O 'ladrar' representa não só um sinal de aviso para os congéneres, como igualmente uma intimidação para os perigos desconhecidos.
  • A espera realiza-se, normalmente, em mirador (palanque) elevado, meio aberto ou fechado, situado em local com vista para um campo de alimentação ou zona aberta. Trata-se de um processo muito mais descansado já que permite observar calmamente os animais que saem ao limpo sem que estes se apercebam e realizar um tiro seguro, apesar de muitas vezes as distâncias de tiro não serem as mais confortáveis. No entanto, pelo que ficou exposto, e pelas dificuldades da caça de aproximação, consideram os grandes caçadores ser a espera um processo de caça pouco desportivo.
  • Apesar de estarmos a falar de um cervídeo de tão pequeno porte e que aparenta uma grande fragilidade, a verdade é que o cobro dos corços atingidos ou feridos de morte nem sempre se tem revelado tão fácil quanto se poderia pensar. Estamos em presença de duas situações: ou ficam 'secos' ou fogem para a zona de maior coberto vegetal (podendo percorrer grandes distâncias); devido aos saltos e à velocidade da fuga, o rasto de sangue, sendo mínimo, fica muito espaçado e difícil de seguir. Por isso convém ter muita atenção à reacção do animal no momento do tiro. Em última instância a melhor opção é utilizar um cão de pista de sangue bem treinado.

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